Juntas de Freguesia de Castelo de Vide

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A Freguesia
 
Parte integrante da vila de Castelo de Vide, São João baptista tem 950 habitantes e é uma das três freguesias em que aquela se divide. Ocupa uma área de 76,11 quilómetros quadrados. Na história escrita, a mais antiga informação que se conhece sobre a vila á datada de 1213, aparecendo o topónimo Vide despido de “castelo” ou mesmo “vila”. Oito anos depois, os documentos começam a referir-se a “Castel de Vide”. Mas os primórdios da vila e da freguesia de São João Baptista, em termos de povoamento, devem situar-se pelos finais do neolítico. No território em que assenta esta freguesia encontram-se diversos documentos arqueológicos que atestam a antiguidade do povoamento local.

A paróquia de São João baptista é de instituição muito antiga. Foi da jurisdição da Ordem de Malta, como o confirmam os emblemas esculpidos na sua igreja, e era das freiras maltesas de Estremoz. O prior era apresentado pelo Grão Prior do Crato.

A igreja de São João Baptista está situada num dos extremos da Praça de D. Pedro V. O edifício foi construído no século XV, tendo sofrido modificações nos séculos XVII e XVIII. Na fachada, singela, destaca-se o pórtico, de granito, composto de pilastras enxaquetadas suportando um frontão interrompido simples, com dois coruchéus, e tendo ao centro, esculpida em alto relevo, a cruz de Malta. Uma janela do mesmo tipo sobrepõe-se ao frontão. Nos lados da fachada, sobre cunhais aparelhados, assentam dois fogaréus. O interior é de uma só nave. A capela-mor mantém vestígios do templo primitivo.

A praça é dominada pela estátua de D. Pedro V, que visitou a vila, e pela Fonte do Ourives. Na fileira de casas que ladeia a praça há algumas com interesse: uma casa solarenga do século XVIII, vãos emoldurados por cimalhas de largo balanço e por duas pilastras trabalhadas em alvenaria, com bustos em relevo; A Casa Magessi, seiscentista, de exótica fachada; a casa de Pina Manique; e a casa onde nasceu Mouzinho da Silveira.

Na parte sul da freguesia de São João fica situado o antigo convento de São Francisco, franciscanos recoletos, fundado em 1585, transformado depois em recolhimento, e, em 1860, em asilo de cegos, fundado e dotado por João Diogo Juzarte de Sequeira Sameiro. O edifício da igreja, datado do século XVIII, é simples. Tem fachada ladeada por cunhais de granito aparelhado e pórtico da mesma pedra, com larga verga assente sobre ombreiras com capitéis trabalhados e pilastras. Sobrepuja a verga um nicho que alberga uma imagem da padroeira entre duas volutas que sustentam uma janela coroada por coruchéus, concha e cruz. No alto tem um pequeno frontão com óculo, e na porta, uma data: 1784. O interior é amplo, com abóbada de berço. O tecto da capela-mor é apainelado e em alvenaria. No altar-mor está um silhar de azulejos azuis e brancos do começo do século XVIII. Os altares são todos de talha dourada e pintada, sendo o altar-mor todo dourado e os outros policromados. O claustro, relativamente pequeno e com cinco meias colunas em cada lanço com arcos de volta redonda, é em granito, e a cobertura é de abóbada singela.

Já fora da vila, a cerca de dois quilómetros, no alto de um cerro sobranceiro à estrada de Portalegre, situa-se a capela de Nossa Senhora da Penha. È um pequeno templo dos fins do século XVI, com capela-mor redonda e tecto abobadado, forrado com azulejos policromos do tipo de tapete e de desenho geométrico do século XVII. A popular ermida levanta-se num local dotado de uma excelente vista panorâmica.

Parte desta freguesia está incluída no Parque Natural da Serra de São Mamede, criado a 14 de Abril de 1989. Ocupando uma área de 31.750 hectares e atravessando os concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre, o parque está integrado numa zona geológica particularmente rica, em que se destacam os xistos, os quartzitos e os calcários. A falha de Castelo de Vide, observável a partir da estrada em direcção à Senhora da Penha, constitui um dos elementos de maior beleza. Toda a área protegida é de visita obrigatória e recheada de constantes e agradáveis surpresas. Numa região onde são frequentes as presenças da cegonha branca e peneireiro cinzento, existem ainda espécies endémicas da Península Ibérica: o tritão de ventre laranja, o sapo parteiro ibérico, a rã ibérica e o lagarto de água.

Se Castelo de Vide é conhecido pelos importantes testemunhos do passado, não o é menos pela amenidade do seu clima e pelas muitas e frescas fontes que da serra brotam. Algumas, de qualidades medicinais comprovadas, transformaram a vila num centro termalítico internacionalmente conhecido. Uma das principais nascentes de águas minerais situa-se nesta freguesia: A Fonte da Mealhada. Tem uma água fracamente mineralizada, carbonatada, alcalino-terrosa, aconselhada nos tratamentos das doenças de estômago, fígado e rins. Há em São João Baptista outras nascentes e fontes como a do Martinho e a Nova. As águas desta freguesia são exploradas pela Empresa das Águas de Castelo de Vide.
 
 

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