| A Freguesia |
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Santa Maria da Devesa é a freguesia mais populosa da vila e do concelho desde há vários séculos, com uma população de 3300 habitantes. A área que ocupa é, no entanto, a menor de todas: 56,36 quilómetros quadrados. Importante e muito é o testemunho de povoamento neolítico que esta freguesia apresenta: o Menir da Meada. Localizado a cerca de doze quilómetros para norte de Castelo de Vide, o Menir da Meada é considerado o maior símbolo fálico conhecido na Península Ibérica. Com o passar dos tempos a vila foi ocupada por romanos e árabes e a estes conquistada por D. Afonso Henriques. Dizem alguns que este monarca a doou a Gonçalo Mousinho, cavaleiro nobre do tempo do seu pai. Em 1180 ter-lhe-á dado foral particular Pedro Anes. D. Afonso III doou-a a seu filho, o infante D. Afonso, juntamente com Marvão e Portalegre, Nas lutas que este teve com seu irmão, D. Dinis, Castelo de Vide foi um dos pomos de discórdia. As discórdias entre os irmãos só terminaram em 1282 quando D. Afonso cedeu a vila à coroa. D. Dinis fez então algumas obras de defesa, iniciando a construção do castelo, com as muralhas que envolvem a vila. Dizem uns que fundou o castelo, outros porém opinam que se limitou a edificar a torre de menagem e a fazer algumas reparações. É possível, realmente, que no local já existissem quaisquer obras defensivas, que tenham sido aproveitadas por D. Dinis. Desta altura data a importância histórica da vila. Em 1281, o monarca recebeu em Castelo de Vide os embaixadores de Aragão, que vinham ratificar o seu casamento com D. Isabel. Em 1299 confirmou os foros da vila, concedendo-lhe que fosse sempre da coroa. Em 1310 deu-lhe foral, que viria a ser reformulado por D. Manuel, em 1512. As obras do castelo prosseguiram durante todo o seu reinado e só terminaram em 1327, reinando já D. Afonso IV. D. Fernando doou a vila a seu termo à Ordem de Cristo, em 1372, em troca de Castro Marim. Apertada a princípio pelo círculo de muralhas que rodeavam o castelo, a povoação começou a expandir-se no princípio do século XIV, estendendo-se para Este até à colina onde no século XVIII se edificou o Forte de S. Roque. A torre de menagem do castelo, com tecto artesoado, parcialmente destruída por uma explosão nos inícios do século XVIII, foi restaurada nos anos quarenta, o mesmo se verificando recentemente com a cobertura do paço, em que foi utilizado cimento armado. Dentro do seu recinto, núcleo primitivo da povoação, ainda hoje habitado, integram-se alguns edifícios, como é a seiscentista capela da Senhora da Alegria, com azulejos da mesma época sobre o pórtico de granito, encimado por um nicho que abriga uma imagem de faiança do mesmo período. Na zona histórica, contígua ao castelo, de estreitos arruamentos medievais, encontram-se vários portais ogivais e o edifício da sinagoga, testemunho da importante comunidade judaica aí implantada. Segundo se escreve num folheto municipal, “compõe-se de dois pisos, abrindo-se numa das divisões do piso superior o que se julga ser o tabernáculo. Neste compartimento reuniam-se os homens da comunidade, enquanto na divisão à sua direita, daquela separada originalmente por um pequeno postigo, congregavam-se os membros do sexo feminino, enquanto decorriam sessões de estudo dos Textos Sagrados”. Na Praça D. Pedro V, de um dos lados, sobressaem a igreja matriz e o edifício dos Paços do Concelho. A igreja é muito ampla, tendo sido levantada sobre as ruínas de uma capela fundada em 1310. A fachada, grandiosa, é flanqueada por duas torres sineiras e tem um pequeno frontão encimado por uma cruz, cunhais e pilatras de granito aparelhado. O pórtico, com a data de 1748, de colunas caneladas de ordem coríntia, é rematado por um frontão interrompido. O interior é de uma só nave, com transepto e capela-mor, de alvenaria, data do século XIX. O edifício da Câmara Municipal é uma construção nobre, datada de 1721, com três frontarias, janelas de sacada e gradeamentos de ferro. |
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